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Aprender e descobrir

Aprendizagem ativa: Um olhar para o aprender a aprender

A aprendizagem ativa, quando associada ao processo educacional, é aquela em que há um agente atuante na construção de seu conhecimento, ou seja, sua participação é fundamental para todo o processo.

Por: Bernoulli | Em: 20/03/2023

Iniciamos o ano de 2023 com um olhar para o planejamento e para as avaliações. Ambas as temáticas são fundamentais para a aprendizagem dos estudantes. O primeiro nos possibilita organizar nossas ações, para executar algo de forma efetiva, transpondo o currículo da escola para a prática. Já o segundo objetiva ser um meio para diagnosticar os processos de ensino-aprendizagem, para medir se os objetivos educacionais foram alcançados e, posteriormente, embasar ações pedagógicas intencionais e capazes de promover a evolução integral dos estudantes. Sabendo que os planejamentos e instrumentos avaliativos variam conforme a intencionalidade pedagógica, caso tenha como objetivo a aprendizagem ativa de estudantes, é fundamental para o docente entender o que isso significa para, assim, definir os próximos passos em sua sala de aula de maneira assertiva.

 

O substantivo aprendizagem é derivado do latim apprehendere, que significa apropriar-se ou adquirir, nesse caso, apropriar-se do conhecimento. O adjetivo ativo(a), também derivado do latim, activus, designa “quem age” ou “que age”. Desse modo, entendemos que a aprendizagem ativa, quando associada ao processo educacional, é aquela em que há um agente atuante na construção de seu conhecimento, ou seja, sua participação é fundamental para todo o processo. Portanto, não é possível falarmos sobre uma aprendizagem ativa sem que o estudante seja sujeito presente e colaborativo durante todo o processo do seu aprendizado.

 

Definimos a aprendizagem ativa, porque é importante compreendê-la para falar sobre certas práticas pedagógicas. A aprendizagem em que o estudante é protagonista do processo é fator norteador para as estratégias e metodologias ativas. Essas nomenclaturas são recentes e têm ganhado força nos últimos anos, mas não quer dizer que essas propostas tenham surgido recentemente. No contexto mundial, movimentos que questionam a postura passiva que os estudantes assumem no ensino tradicional e que contribuem para que eles estejam no centro de seu processo de aprendizagem são reflexões que foram propostas desde a Escola Nova (século XIX/XX). Dentre os diversos teóricos relevantes para esse movimento, destaca-se John Dewey. Em suas concepções pedagógicas, Dewey trazia o olhar do estudante como sujeito ativo de seu aprendizado. O autor, desde o início do século XX, pontuava que a educação deveria formar sujeitos competentes, criativos e autônomos. Assim, colocava o fazer pedagógico como uma prática transformadora. Caso façamos uma pesquisa ainda mais aprofundada, é possível que encontremos registros ainda mais antigos com princípios semelhantes aos de Dewey e da Escola Nova.

 

Esse é o caso do método socrático, em que o estudante é envolvido pela proposta pedagógica do(a) docente, questionando e dialogando com professores e colegas para a construção de seu conhecimento. Assim como, Nadia Aparecida de Souza descreve:

 

[…] na “Pedagogia Socrática”, o aluno precisa ser ativo no processo do ensino e da aprendizagem. O conceito de educação e de aprendizagem deve ser sinônimo de libertação. Consequentemente, é impossível haver libertação se o relacionamento entre mestre e discípulos não for capaz de promover autonomia. Na modernidade, elementos contidos no interior da “pedagogia” socrática têm estabelecido novos princípios para uma nova relação professor-aluno. Essa nova tendência é chamada por alguns teóricos de educação libertadora. (SOUZA, 2016, p. 141)

 

No contexto brasileiro, reflexões sobre a relação professor-aluno são descritas por Freire desde a década de 1960. No país, como “metodologias” ativas, encontramos documentos de outros autores a partir da década de 1980, mas a popularização dessa nomenclatura ficou evidente a partir do final da última década, antes e durante a pandemia do Covid-19.

 

Junto à popularização desse termo, houve equívocos em relação aos que seriam seus sinônimos e quando realmente seriam praticados. Para entender melhor o que queremos dizer, convidamos você a refletir sobre a aplicação de uma metodologia.

 

De forma geral, considerando o método científico desenvolvido por Karl Popper, uma metodologia está relacionada à execução de processos. São necessárias observações, levantamento de hipóteses, testes das hipóteses e análise de seus respectivos resultados para se chegar às conclusões. É importante que tanto as hipóteses quanto às conclusões sejam possíveis de serem verificadas por meio de experimentos e que os passos executados possam ser replicados e testados pela comunidade, de forma que as conclusões não sejam respostas finais (verdades absolutas), mas que possam ser aprimoradas à medida que apareçam fortes evidências que as contradigam, reiniciando o ciclo. Como não é tudo o que tem sido chamado de metodologias ativas que possui essas etapas bem definidas, para este texto, percebemos a necessidade de definir alguns procedimentos como estratégias ativas, culturas ativas ou abordagens educacionais, a depender do que estamos falando.

 

Trazemos então um rigor pedagógico maior sobre a utilização de conceitos que apesar de parecerem sinônimos e serem usados muitas vezes neste sentido não o são. Aqui, a Educação Híbrida será entendida como uma abordagem educacional, Cultura Maker como uma cultura ativa, um jeito de viver no sentido do “faça você mesmo”. 

 

A seguir, estão quatro metodologias ativas que possuem etapas bem definidas para seu desenvolvimento e são favoráveis à aprendizagem ativa dos(as) estudantes.

 

  1. Aprendizagem baseada em projetos
  2. Aprendizagem baseada em problemas
  3. Aprendizagem baseada em times
  4. Aprendizagem por pares

 

É muito importante não só reproduzir os termos que estão sendo apresentados, mas entendê-los na essência e reconhecer sua importância para o processo de aprendizagem dos(as) estudantes. Observe um trecho retirado da Base Nacional Comum Curricular: […] a BNCC propõe a superação da fragmentação radicalmente disciplinar do conhecimento, o estímulo à sua aplicação na vida real, a importância do contexto para dar sentido ao que se aprende e o protagonismo do estudante em sua aprendizagem e na construção de seu projeto de vida. (BNCC, 2018, p. 15)

 

Esse recorte foi feito dos Fundamentos Pedagógicos da Base e, mais uma vez, destaca a importância dos estudantes como agentes da construção do próprio conhecimento. Trata-se de um sujeito que está em constante desenvolvimento de seu olhar criativo, de sua autonomia, de sua argumentação, que aprende pela troca, pela partilha e pela cooperação. Contudo, para que esse estudante atue, é preciso que o educador também mude de atitude. Será que a mesma postura tradicional em sala de aula possibilitará que os estudantes tenham uma aprendizagem ativa? A resposta é não. Por isso, é preciso estudo, já que mudanças não são caminhos fáceis, mas podem ser simplificadas de acordo com as estratégias que escolhemos e, nesse caso, escolhemos falar sobre as estratégias ativas.

 

Por fim, para falar sobre a prática de estratégias ativas convidamos a refletir sobre os detalhes que lhe foram apresentados até aqui. Você percebeu que havia um hiperlink no título dessa seção? Caso não tenha percebido, volte algumas páginas e clique em “aprender a aprender”. Você se direcionará para um curta metragem. Caso tenha percebido, você acessou e assistiu ao curta até o final? Nesse curta, quais as semelhanças que você consegue perceber com a sua sala de aula? No vídeo, o educador age como detentor do conhecimento? O estudante é apenas observador? Quais as conclusões que você pode tirar sobre a postura do professor e do estudante para uma sala de aula ativa?

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